A justificativa para o acordo descrito fundamentava-se na ideia de A votação foi condenada por Kiev e pela comunidade internacional, que a considera ilegítima. A Crimeia representa um território estratégico do ponto de vista militar russo, considerando a sua posição geográfica. Nesse discurso que antecedeu a assinatura da anexação da Crimeia, Putin destacou a questão como vital para os interesses russos. Atualmente, a Crimeia continua sendo um foco de disputas territoriais entre a Rússia e a Ucrânia, sendo ainda considerada uma república autônoma da Rússia. Houve uma intensa reação da comunidade internacional, em especial da Otan, com os Estados Unidos à frente, e da União Europeia, e há grande pressão para a resolução do conflito por vias diplomáticas. No sentido inverso, cidadãos russos migraram para a península e hoje representam 67% da população local.
Destaca-se que alguns anos antes, Viktor Yanukovich e Vladimir Putin, presidente russo, assinaram um acordo pela permanência da base naval de Sevastopol sob o domínio lucky jaguar gratis da Rússia. Cabe destacar que a população da Crimeia é majoritariamente russa (cerca de 60% do total de habitantes), além de haver uma estreita relação histórica e étnico-cultural entre esses territórios. À época, estavam em andamento negociações para que a Ucrânia formalizasse um acordo de livre-comércio com a União Europeia, estreitando assim os laços do país com o bloco econômico. Entretanto, ela foi incorporada novamente à Rússia e, mais tarde, à União Soviética como uma república autônoma, adotando, em 1921, a denominação de República Autônoma Socialista Soviética da Crimeia. A Crimeia foi declarada uma nação independente por um breve período, algo que decorreu do fim do Império Russo em 1917. Atualmente, a Frota do Mar Negro, como é denominada essa unidade estratégica de defesa da marinha russa, pode ser apontada como um dos motivos que fez escalar a tensão entre Ucrânia e Rússia pelo domínio da região. No século XVIII, a expansão do território da Rússia fez surgir uma série de conflitos entre turcos e russos que se davam pelo controle do mar Negro e, por conseguinte, da península da Crimeia.
Em muitas dessas áreas, há um registro material da presença grega na região, que são as ruínas de suas antigas edificações. Os anos subsequentes foram marcados pela chegada de outras populações até a região, destacando-se a presença dos gregos entre os séculos V e IV a.C. Nesse período, o fluxo de turistas variava entre cinco e seis milhões de pessoas ao ano, o triplo da sua população. O Produto Interno Bruto (PIB) da Crimeia é estimado em cerca de sete bilhões de dólares. Os ucranianos representavam 24%, enquanto os tártaros correspondiam a 10,2% dos habitantes da Crimeia. O principal curso d’água que corre exclusivamente pela Crimeia é o rio Salhyr, que percorre 204 km até desaguar na região do Syvash. Uma parte do abastecimento hídrico do oeste, região mais seca da Crimeia, é realizada pela condução das águas do rio Dniepre armazenadas no reservatório de Kakhovka.
Século Xxi
Muitos ucranianos, tártaros e pessoas de outras etnias deixaram o território da Crimeia, provocando um intenso fluxo emigratório. Internamente, a legislação russa passou a vigorar na Crimeia em detrimento das leis da Ucrânia, embora, de acordo com o direito internacional, a península seja parte do território ucraniano, cujas leis deveriam ser válidas na Crimeia. A questão gerou ainda uma tensão permanente entre a Rússia e a Ucrânia que já se estende por oito anos e, mais recentemente, desentendimento entre russos e a Otan. A questão da Crimeia gerou uma crise diplomática entre a Rússia e países do Ocidente, alguns dos quais impuseram sanções aos russos, como é o caso dos Estados Unidos e do bloco econômico da União Europeia. A região é uma grande produtora de grãos, alimentos e bebidas como o vinho. Trata-se de uma área de águas quentes que favorece o transporte marítimo tanto para fins comerciais quanto de defesa territorial por parte da Rússia, que já controla uma unidade militar na cidade de Sevastopol. A península representa uma via de acesso ao mar Negro a partir do mar de Azov, que banha o sudoeste do território russo e parte da Ucrânia. A anexação não foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), que considera a Crimeia um território ucraniano e aponta ainda para a não validade do referendo de março de 2014.
Mais recentemente, em novembro de 2018, a região passou por nova crise após os russos abrirem fogo e capturarem navios ucranianos que haviam entrado sem permissão em suas águas territoriais. Enquanto isso, milhares de soldados russos eram enviados secretamente para a região, e seriam em breve reunidos com ainda mais tropas enviadas pelo governo de Vladimir Putin a pedido do destituído presidente Viktor Yanukovich. A região foi ilegalmente anexada pela Rússia em março de 2014, em um processo condenado pela comunidade internacional. EUA e União Europeia, em acordo, destacaram jamais reconhecer a região como território russo. O clima temperado da península tornou-a um destino turístico popular para ucranianos e russos antes da guerra entre as nações, especialmente Yalta, onde os vencedores soviéticos, americanos e britânicos da Segunda Guerra Mundial se encontraram em 1945 para discutir o futuro da Europa. Por consequência, a própria Rússia enfrentou um período de considerável isolamento internacional, sofrendo inclusive sanções econômicas, embora isso não tenha impedido protestos a favor dos russos em outras cidades ucranianas, como Kharkiv e Donetsk, aparentemente desejosas de seguir o exemplo da Crimeia. Recentemente, a Crimeia se tornou um dos pontos em discussão para um possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia mediado pelos Estados Unidos.
Após a ofensiva em larga escala em 2022, Moscou impôs um bloqueio aos portos ucranianos do Mar Negro, o que restringiu severamente as exportações de grãos, vitais para a economia pré-guerra de Kiev. Após a Crimeia ter votado em um referendo controverso para se tornar parte da Rússia, Moscou a anexou formalmente em 18 de março de 2014, com Putin afirmando que a península sempre foi e continua sendo uma parte inseparável do seu país. A Rússia enviou tropas para a Crimeia e assumiu o controle da península após a deposição do presidente pró-Rússia da Ucrânia, Viktor Yanukovych, durante protestos em massa em fevereiro de 2014. A Crimeia tornou-se parte da Rússia dentro da União Soviética até 1954, quando foi entregue à Ucrânia, também uma república soviética, pelo sucessor de Stalin, Nikita Khrushchev. Em 1921, a península, então habitada principalmente por tártaros muçulmanos, tornou-se parte da União Soviética.
As tropas do Eixo, sob o comando da Alemanha nazista, sofreram graves perdas no verão de 1941, à medida que tentavam avançar pelas águas estreitas do istmo de Perekop, que liga a Crimeia ao continente. Em 18 de outubro de 1921 a República Socialista Soviética Autônoma da Crimeia (RSSAC) foi criada como parte da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, que se tornou então parte da União Soviética. Em 1769, naquela que é considerada a última incursão tártara, ocorrida durante a Guerra Russo-Turca, cerca de 20 mil pessoas foram escravizadas. Cerca de dois milhões de escravos oriundos da Rússia e da Ucrânia foram vendidos durante o período que foi de 1500 a 1700. Colonos gregos habitavam inúmeras colônias ao longo do litoral da península, mais especificamente a cidade de Quersoneso, atual Sebastopol. As regiões do interior eram habitadas pelos citas, enquanto a costa montanhosa meridional pelos tauros, um ramo dos curios. Heródoto também se refere a uma região vizinha chamada Cremni que significaria "Penhascos", e poderia se referir à península da Crimeia, célebre pelos penhascos em seu litoral, que contrastam com o resto da costa norte do mar Negro, geralmente plana.